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SINDSAÚDE-GO realiza ato contra a retirada de assistentes sociais da rede de saúde

SINDSAÚDE-GO e Conselho de Saúde protestam contra a transferência de 40 assistentes sociais da rede municipal, denunciando redução da assistência, falta de diálogo e risco de terceirização na saúde pública.

Publicado: 09 Abril, 2026 - 13h44 | Última modificação: 10 Abril, 2026 - 16h26

Escrito por: CUT-GO

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O SINDSAÚDE-GO realizou na manhã desta quinta-feira, 09 de abril, uma manifestação em frente à Superintendência Municipal de Direitos Humanos de Goiânia (SEMASDH), em conjunto com o Conselho Municipal de Saúde e assistentes sociais da rede municipal. O ato foi realizado em protesto contra a Portaria nº 1169/2026, que determina a transferência de 40 assistentes sociais da Secretaria Municipal de Saúde para outras pastas da administração municipal, medida que impacta diretamente na redução da rede de assistência no município.

Esta é a segunda mobilização organizada pelo SINDSAÚDE-GO em defesa dos direitos da categoria e de todos(as) cidadãos e cidadãs goianienses. No dia 31 de março, o sindicato já havia promovido um ato no CAIS Campinas, com a presença dos parlamentares, vereadora Kátia Maria (PT-Goiânia), vereador Fabrício Rosa (PT-Goiânia), e o deputado estadual Mauro Rubem (PT-Goiás).

Durante o ato, Néia Vieira, presidenta do SINDSAÚDE-GO, denunciou o desmonte da saúde municipal que vem sendo feito pelo prefeito Sandro Mabel. 

"Dizer que vai resolver o problema da Secretaria de Assistência Social retirando 40 assistentes sociais da saúde e transferindo-os para a administração é uma mentira, porque nós sabemos o que é necessário para solucionar essa questão. É preciso que a prefeitura convoque os aprovados em concurso, se for necessário, que faça novos concursos para prover os cargos que estão deficitários, para que aí sim a gente consiga garantir assistência à saúde de qualidade", afirmou.

Néia também alertou que a medida é mais um passo rumo às terceirizações na saúde pública. "O que nós estamos observando é um desmonte para justificar a terceirização. Nós somos contrários a isso, e vamos permanecer na luta até os últimos minutos", declarou. 

Flaviana Alves, presidenta do Conselho Municipal de Saúde e diretora do SINDSAÚDE-GO e também da CUT Goiás, destacou que a portaria representa uma tentativa de enfraquecimento do controle social.

"A Portaria nº1169 é uma iniciativa proposital da prefeitura feita para enfraquecer o controle social, porque os(as) assistentes sociais são um elo entre a gestão municipal e a comunidade. Essa categoria tem a responsabilidade no ato do controle social, no fortalecimento das conferências e dos conselhos locais de saúde", afirma.

O conselho e o sindicato comunicaram ao secretário municipal de saúde, Luiz Pellizzer, em reunião realizada com a secretaria no dia 30 de março,  que a publicação da Portaria nº 1169/2026 não poderia ter acontecido sem construção e debate com os(as) trabalhadores e trabalhadoras. As entidades também alertaram que a decisão vai na contramão do fortalecimento de políticas públicas, pois elas devem passar, necessariamente, pelo fortalecimento do papel dos(as) assistentes sociais.

Flaviana também destacou a falta de diálogo da gestão municipal com a categoria. "Só o que nos foi informado, através do próprio secretário municipal de saúde, é que ele foi obrigado, pelo secretário da SEMAD, a realizar a transferência dos(as) profissionais" relatou.

Em resposta ao secretário municipal de saúde, o SINDSAÚDE-GO e o Conselho Municipal de Saúde afirmaram que os postos de atendimento não podem permanecer sem assistência social, e que para preencher o departamento será necessário realocar os(as) assistentes para seus postos de origem, ou convocar um novo concurso público.

"Não adianta descobrir um santo para cobrir outro, isso aí é brincar de fazer política pública", manifesta Flaviana. 

O Conselho Municipal de Saúde já encaminhou uma denuncia do caso para o Ministério Público e informou que irá construir uma resolução coletiva com os(as) trabalhadores e trabalhadoras em plenária da entidade que será realizada no dia 29 de março. 

Ao final do ato, o SINDSAÚDE-GO deliberou a realização de um novo ato com a categoria para o dia 17 de abril, sexta-feira, às 09 horas da manhã, na porta do Cais Amendoeiras, no setor leste de Goiânia. 

A CUT Goiás reforça seu apoio ao SINDSAÚDE-GO e à categoria, destacando a importância da mobilização em defesa do fortalecimento do SUS e da garantia de uma saúde pública de qualidade para todos e todas.