Roma Empreendimentos ameaça posseiros na Vala do Rio do Peixe
Empresa da deputada Magda Mofatto ignora decisão judicial e usa a truculência para infundir medo em 22 famílias
Publicado: 03 Novembro, 2015 - 10h23
Escrito por: Maisa Lima, assessora de Comunicação da CUT-GO
Na sexta-feira (30), uma equipe formada pela Central Única dos Trabalhadores no Estado de Goiás (CUT-GO) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) visitou a Vala do Rio do Peixe, região situada próxima a Pires do Rio, a cerca de 150 quilômetros de Goiânia, onde 22 famílias vivem há mais de 15 anos produzindo e comercializando produtos agroecológicos, mas que agora vivem sob a permanente ameaça de despejo pela Roma Empreendimentos, grupo hoteleiro goiano de propriedade da deputada federal Magda Mofatto (PR).
A área tem 240 alqueires e atualmente os posseiros contam com a garantia de permanecer onde estão graças à interposição de um mandado de segurança junto ao Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO). Só que, arbirtrariamente, a empresa Roma vem tentando forçar a desocupação na base da truculência. Vôos rasantes de helicóptero assustam moradores e animais. Durante a noite, fachos de luz sobre as casas impedem os moradores de dormir e, para culminar a arrogância, no último final de semana arrancaram o curral de Edson Marques Batista, o Edinho, que mora no local há 15 anos.
Pressão
"Eu e minha família vivemos pressionados. Sem ordem da Justiça, eles estão desmatando. E agora eu tenho observado que estão rondando a escola onde sou guarda noturno, em Palmelo. Minha mulher já está com síndrome do pânico. Tenho mais medo quando vou sair e voltar pra casa, pois a distância é grande e aqui só moramos nós dois", conta o posseiro, em cuja parcela é possível encontrar um pomar repleto de frutas e criação de animais como galinhas, javalis e até coelho.
Outra posseira, Adriana Cristina Batista de Campos, que vive no local há sete anos criando gado e galinhas, sofre com os vôos rasantes do helicóptero. "Tenho oito vacas sumidas no meio do cerrado, pois os bichos ficam apavorados", conta ela que, junto com o pai, tem de campeá-los a pé, subindo e descendo morros. "A gente tem mais o que fazer, mas não podemos ficar sem esses animais".
A irmã Maria Inês de Oliveira, da CPT, acompanha o conflito há quatro anos. "Cheguei um dia depois deles serem notificados a sair de suas parcelas. Até que conseguimos a supensão da liminar de despejo das famílias. A deputada tem conhecimento de uma série de erros judiciais, mas ela quer a qualquer custo assumir a posse dessa área, embora estes posseiros estejam resguardados pela lei", conta.
O presidente da CUT-GO, Mauro Rubem de Menezes Jonas, lembrou que "a CUT apoia e participa da luta para garantir a posse, a pequena propriedade, a produção de alimentos. Nós não aceitamos essa intimidação". Ele acionou o secretário estadual de Justiça, Joaquim Mesquita, para alertá-lo sobre a arbitrariedade que a empresa de Magda Mofatto está fazendo com os moradores. O secretário, então, determinou que o tenente Morais, do 11º Batalhão da Polícia Militar (PM) de Pires do Rio, acompanhasse a comissão até a Vala do Rio do Peixe. Mas mesmo a presença da polícia não fez qualquer efeito sobre os jagunços de Magda, que continuaram a derrubada do curral de Edinho.