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CUT Goiás reforça mobilização para o fim da escala 6x1

O fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial então em um momento decisivo para as suas consolidações e a CUT Goiás reforça mobilização dos trabalhadores

Publicado: 21 Maio, 2026 - 15h37

Escrito por: CUT-GO

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O fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial entraram em um momento decisivo para as suas consolidações diante da tramitação da PEC 221/2019 no Congresso Nacional. A comissão especial da Câmara dos Deputados que trata sobre a proposta apresentou o cronograma oficial de votação da PEC, que prevê leitura do relatório final no dia 25 de maio, votação do parecer final na comissão no dia 27 e apreciação no plenário da Câmara no dia 28 de maio.

A proposta é uma reivindicação histórica dos(as) trabalhadores(as). A escala 6x1, amplamente utilizada em setores como comércio, serviços, logística, alimentação e atendimento ao público, submete trabalhadores(as) a seis dias consecutivos de trabalho para apenas um dia de descanso. Para a CUT Goiás, o modelo aprofunda o desgaste físico e mental, reduz o tempo de convivência familiar, compromete o lazer, os estudos e a própria saúde da classe trabalhadora. Discutir jornada de trabalho é discutir dignidade, qualidade de vida e o direito de viver para além do trabalho.

Dados apresentados em nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) demonstram que grande parte dos vínculos formais no país ainda estão concentrados em jornadas superiores a 40 horas semanais, especialmente em setores do comércio e serviços. O estudo também aponta que não há consenso técnico que sustente previsões alarmistas de colapso econômico com a redução da jornada, lembrando que experiências históricas anteriores, como a redução promovida pela Constituição de 1988, não provocaram impactos negativos sobre o emprego.

O presidente da CUT Goiás, professor Flávio Silva, defende que a redução da jornada é uma necessidade econômica e social urgente. Segundo ele, a ideia de que jornadas maiores significam mais produtividade não se sustenta diante da realidade do mercado de trabalho moderno.

“Produtividade não se constrói com desgaste humano. Países mais produtivos investem em tecnologia, qualificação e melhores condições de trabalho, não na exploração intensiva da mão de obra”, afirmou.

Flávio também destaca que trabalhadores(as) com mais tempo livre e melhores condições de vida tendem a movimentar mais a economia, investir em formação e ter melhor qualidade de vida, criando um ciclo positivo para o desenvolvimento econômico e social do país.

Durante audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, o presidente da CUT Nacional, Sérgio Nobre, reforçou a defesa da implementação imediata da redução da jornada para 40 horas semanais sem redução salarial e sem compensações financeiras ao empresariado.

“Nós não vemos sentido esperar mais quatro anos, mais cinco anos, como estão falando. Então, chega! As condições estão dadas, a economia está dada, é uma exigência da sociedade e nós queremos 40 horas, não é com transição não, 40 horas já!”, declarou Sérgio durante audiência pública realizada nesta terça-feira, 19 de maio, na Câmara Federal.

Além do fim da escala 6x1, outra pauta considerada prioritária pelo movimento sindical é a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho, por meio do PL 1.893/2026, encaminhado pelo governo federal ao Congresso Nacional.

A proposta regulamenta a negociação coletiva no serviço público brasileiro, estabelecendo mecanismos permanentes de diálogo entre servidores(as) e o poder público. Segundo o professor Flávio Silva, a regulamentação da 151 é essencial e trará grandes avanços na democracia, para os(as) servidores(as) e para os serviços essenciais prestados à população

“A criação de mecanismos permanentes de diálogo entre governo e entidades representativas garante mais transparência, segurança jurídica e prevenção de conflitos nas relações de trabalho. Além de estar alinhada às convenções da Organização Internacional do Trabalho, especialmente a Convenção nº 151, a negociação coletiva contribui para a valorização das carreiras, melhoria das condições de trabalho e construção de soluções consensuais para a administração pública. Trata-se de um instrumento fundamental para uma gestão pública mais participativa, eficiente e democrática. Por isso, reafirmamos a importância da aprovação e implementação de instrumentos legais que garantam a negociação coletiva permanente no serviço público brasileiro, respeitando a autonomia sindical, o diálogo democrático e os interesses da sociedade”, declara Flávio.

Para a CUT Goiás, tanto o fim da escala 6x1 quanto a regulamentação da Convenção 151 representam disputas centrais do atual momento político brasileiro. As propostas dialogam diretamente com a valorização do trabalho, a democratização das relações trabalhistas e a construção de um modelo de desenvolvimento que coloque a dignidade humana acima da lógica da exploração permanente da força de trabalho. Dessa forma, é fundamental que toda classe trabalhadora permaneça mobilizada para que as pautas de luta históricas sejam implementadas.