CUT Goiás realizou ato pelo fim da escala 6x1, em Goiânia.
Publicado: 27 Maio, 2026 - 09h37
Escrito por: CUT-GO
A CUT Goiás realizou, juntamente com entidades sindicais, o Fórum Goiano em Defesa dos Direitos da Democracia e Soberania, e demais movimentos populares, o ato em defesa do fim da escala 6x1 e da redução da jornada de trabalho para no máximo 40 horas semanais, sem redução salarial.
Realizado na tarde desta terça-feira, 26 de maio, em frente ao Palácio da Indústria, na região central de Goiânia, trabalhadores(as) defenderam a redução da jornada como uma medida necessária para garantir melhores condições de vida, saúde, descanso e convivência familiar para a classe. A mobilização ocorreu em meio ao avanço da tramitação da PEC 221/2019 na Câmara dos Deputados.
O relatório da PEC estabelece uma transição gradual para a implementação da nova jornada. Pela proposta, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, a jornada semanal cairia de 44 para 42 horas, com adoção da escala 5x2 e garantia de dois dias de descanso semanal remunerado. Após 12 meses, a carga horária seria reduzida novamente, passando para 40 horas semanais, mantendo o limite máximo de oito horas diárias de trabalho.
Para a CUT Goiás, a atual jornada de trabalho aprofunda o desgaste físico e mental, reduz o tempo destinado ao descanso, lazer e estudos, além de ampliar os casos de adoecimento relacionados ao trabalho.
A ideia de que jornadas mais longas significam maior produtividade não encontra respaldo em estudos técnicos e ignora os impactos do excesso de trabalho sobre a saúde física e mental dos(as) trabalhadores(as). A produtividade da classe trabalhadora está ligada à organização do trabalho, investimento em tecnologia, qualificação profissional e melhores condições de trabalho — e não à ampliação exaustiva da carga horária.
Dados apresentados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que a escala 6x1 permanece como uma das formas mais difundidas de organização do trabalho em setores como comércio, serviços, logística, alimentação e atendimento ao público.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que os impactos econômicos da redução da jornada seriam semelhantes aos reajustes históricos do salário mínimo e que, em setores como indústria e comércio, o aumento do custo operacional seria inferior a 1%.
A mobilização nacional pelo fim da escala 6x1 representa uma disputa política sobre o modelo de sociedade e de desenvolvimento defendido para o país. A CUT Goiás reitera que reduzir a jornada sem reduzir salários significa distribuir melhor o tempo de trabalho, ampliar a geração de empregos e enfrentar um modelo considerado ultrapassado, baseado na exploração intensiva da mão de obra.
No momento da publicação desta matéria, oito deputados federais de Goiás seguem indecisos sobre a aprovação da PEC 221/2019. Para pressioná-los, basta acessar o site napressao.org.br