A proposta do ACT 2026/2027 apresentada pela EBSERH nesta terça-feira, 31 de março, em reunião no TST, foi considerada insuficiente pela categoria, que segue solicitando aumento salarial com ganho real.
Os trabalhadores e trabalhadoras da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH/HU Brasil) em Goiás reafirmaram, na manhã desta quarta-feira, 1º de abril, a disposição de seguir na luta por ganho real no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026-2027.
Em Assembleia Geral Extraordinária convocada pelo SINTSEP-GO e realizada na porta do Hospital das Clínicas da UFG, em Goiânia, a categoria rejeitou por unanimidade a proposta apresentada pela empresa em mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST) e deliberou pela manutenção da greve.
A assembleia foi presidida pelo presidente do SINTSEP-GO, Antônio Gilvan, que explicou o conteúdo do ofício e das propostas apresentadas pela EBSERH, bem como os compromissos firmados na mesa de mediação.
Segundo a ata da assembleia, foram apresentados o índice econômico e as cláusulas sociais da proposta de ACT 2026-2027, construídos em reunião no TST nesta terça-feira, 31 de março, e complementados por ofício circular da empresa. A proposta previa, entre outros pontos, reajuste pelo INPC integral do período.
Na 2ª chamada da assembleia, Gilvan fez a leitura do ofício da EBSERH e alertou a base sobre a pressão da empresa ao afirmar que, caso a proposta não fosse aprovada, a mediação seria encerrada e o caso remetido a dissídio coletivo.
Após inúmeras intervenções e debates, a proposta foi colocada em votação e recusada por unanimidade: 92 votos. Na sequência, a assembleia deliberou sobre a continuidade do movimento paredista, deliberando sua continuidade, ou seja, a manutenção da greve.
Ao longo da assembleia, a palavra circulou entre profissionais de diversas categorias, evidenciando o clima de indignação com a proposta da EBSERH, mas também de firmeza e confiança na força coletiva.
A tecnóloga em radiologia, Luciene Martins, lembrou o papel dos trabalhadores da saúde nos momentos mais críticos da pandemia e criticou duramente a proposta apresentada. “Eles deviam ter vergonha de apresentar uma proposta dessas. Eu estive na pandemia grávida. Eles não têm respeito e consideração conosco”, pontuou.
A assistente social Maria Sueli defendeu a continuidade do movimento e chamou atenção para o peso político da mobilização da categoria. “Nós somos um capital político e eles vão arregar. Devemos continuar nessa mobilização, não estamos sós. A greve tem esse momento de maior tensão, nós estamos nele. Queremos negociação sem dissídio”, salientou.
Ela também reconheceu a forma como o SINTSEP-GO vem conduzindo o processo. “Estamos num momento de uma condução mais democrática e temos sentido isso”, afirmou.
Edson Leite, da área administrativa, propôs o encaminhamento que garantiu o debate plural, com defesas a favor e contra a proposta, antes da votação. Ele também resgatou a experiência de negociações anteriores. “A única vez que tivemos perda no dissídio foi na época da pandemia”, lembrou.
A enfermeira Laiz Brito trouxe para o centro do debate a desigualdade entre quem decide de longe e quem está na linha de frente do atendimento. “Qual a diferença dos diretores para nós? Nós é que estamos na linha de frente, sendo expostas; eles recebem os ganhos e nós não?”, questionou.
Durante a assembleia, o presidente do SINTSEP-GO, Antônio Gilvan, apontou que cerca de 500 trabalhadores se encontram em greve, considerando os diferentes turnos. O número expressivo demonstra a capilaridade do movimento e o grau de mobilização no Hospital das Clínicas da UFG.
A partir da rejeição da proposta da EBSERH, os encaminhamentos aprovados indicam o fortalecimento da greve e sua ampliação, com o chamado para que mais trabalhadores se somem ao movimento, especialmente das áreas não consideradas essenciais, respeitando a legislação e a manutenção dos serviços inadiáveis à população:
Gilvan reforçou o caráter coletivo da luta ao dizer que “o Sindicato somos todos nós, e não apenas a direção.”
Com a recusa unânime da proposta da EBSERH e a decisão firme pela manutenção da paralisação, a base de Goiás manda um recado claro à empresa e ao TST: Não aceitará retrocessos nem propostas aquém da importância de quem sustentou o sistema de saúde nos momentos mais difíceis.
O SINTSEP-GO afirma que seguirá ao lado da categoria, organizando, orientando e fortalecendo a mobilização até que a EBSERH apresente uma proposta que respeite a dignidade, o trabalho e a vida de seus trabalhadores e trabalhadoras.
Fonte: SINTSEP- GO