O SINTECT-GO realizou, entre os dias 27 e 29 de março, o VII Encontro de Mulheres ecetistas, em Caldas Novas. Mais de 100 filiadas de todo o estado participaram do evento, que contou com uma programação de debates, palestras e atividades voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Com o tema “Deixe-me Viver”, esta edição abordou principalmente o alto número de feminicídios no Brasil, acontecendo exatamente na semana em que o Projeto de Lei 896/2023 (“PL da Misoginia”), que inclui a misoginia como crime de preconceito e discriminação (previsto na Lei 7.716/1989), foi aprovado no Senado.
A abertura do evento aconteceu na última sexta-feira , 27 de março, com falas das diretoras sindicais Dirlene Ferreira e Soniane Souza, além do secretário-geral Tiago Henrique.
Em entrevista para a CUT Goiás, Dirlene falou sobre o impacto que o evento tem na vida das mulheres que representam a categoria. “Esse encontro anual ele é, para nós do Sintect, simplesmente um divisor de águas, onde já tivemos companheiras dos Correios que saíram de relacionamentos abusivos e tóxicos por participarem do nosso encontro”, afirma.
Dirlene ainda destacou que a luta em defesa das mulheres é constante, posicionamento reiterado por ações realizadas pelo sindicato.
“A gente sabe que ser mulher não é fácil, e estar viva sendo mulher é ainda mais difícil. Nos Correios, o ambiente ainda é majoritariamente masculinizado, o que faz com que as mulheres sejam minoria e , muitas vezes, enfrentem situações de assédio moral e sexual. Com conhecimento a respeito desta realidade, o SINTECT vem, anualmente, fazendo campanhas em defesa das mulheres e contra o assédio no local de trabalho”, diz.
No sábado, a programação de palestras e rodas de conversa teve início com um ato de “rasgar” falas misóginas frequentemente ditas em relacionamentos abusivos. Essas falas nem sempre deixam marcas visíveis, mas ferem e podem dar sequência a agressões verbais e até físicas.
Em seguida, as dinâmicas e conversas foram mediadas por ecetistas, reforçando o compromisso do sindicato em ampliar a participação das trabalhadoras. Nesse contexto, a ecetista Leila Santos Brandão, terapeuta, conduziu uma atividade em que as mulheres foram incentivadas a abraçar sua criança interior e perdoá-la, um momento emocionante que tocou muitas participantes. Ainda pela manhã, a trabalhadora dos Correios Luidia Ribeiro, também terapeuta, falou sobre a importância do autocuidado, da autonomia e da auto satisfação para o fortalecimento do amor-próprio.
Além das atividades formativas, as participantes também tiveram um momento de descontração e expressão corporal com uma aula de chair dance, conduzida pela dançarina Mari Rabelo. A atividade proporcionou às mulheres um espaço de leveza, autoestima e conexão com o próprio corpo.
Depois do almoço, as participantes receberam, na plenária, a vereadora Kátia Maria (PT – Goiânia), que abordou o aumento dos crimes contra as mulheres e as dificuldades de atuação na política, um ambiente tradicionalmente masculino e machista. Ela também falou sobre o Pacto Brasil Contra o Feminicídio, criado pelo Governo Federal no início do ano.
“Esse é um acordo firmado entre o Legislativo, Executivo e Judiciário. É um pacto inédito, pois nunca existiu um instrumento que fosse de Estado, era apenas de Governo. Porém, vamos ter que enfrentar resistência dentro do Congresso e continuar esse processo de mobilização para aprovar projetos de lei que garantam a vida das mulheres”, explicou.
As participantes também assistiram a uma palestra sobre hábitos e alimentação saudável, com a nutricionista Gabriella Sena. Ela explicou que cansaço, dificuldade para dormir, barriga inchada, ansiedade e queda de cabelo são sintomas associados a uma má alimentação. Para ela, não é preciso fazer uma grande mudança, mas sim aprender a ler rótulos, investir em alimentos mais naturais e “desembalar menos e descascar mais”.
Durante todo o sábado, 28 de março, as participantes também puderam se maquiar e fazer tranças no espaço de beleza, montado ao lado da plenária. As crianças que foram ao evento com suas mães passaram o dia com monitoras, participando de jogos e brincadeiras.
No fim da tarde, as ecetistas e seus filhos passearam pelo centro de Caldas Novas, na “Carreta Furacão”, e depois participaram do encerramento oficial, com a fala da deputada estadual Bia de Lima (PT – Goiás). Para ela, eventos assim são importantes para que as mulheres compreendam sua força na sociedade e passem a ter mais voz dentro de casa e nos espaços sociais. O final de semana contou ainda com shows, karaokê e manhã na piscina.
O Encontro de Mulhers reforça o compromisso do SINTECT-GO com a valorização das mulheres trabalhadoras e o enfrentamento à violência de gênero.
Fonte: SINTECT-GO