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Retrocessos nas políticas públicas

Ameaça de reforma na Previdência e privatizações são exemplos citados pelos entrevistados do Antena Ligada

Publicado: 17 Janeiro, 2018 - 14h04

Escrito por: Maisa Lima, assessora de Comunicação da CUT Goiás

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O presidente do Conselho Estadual de Saúde (CES), Liorcino Mendes Filho; o coordenador em Goiás do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR), Eduardo de Matos; e a secretária de Formação do Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência dos Estados de Goiás e Tocantins (Sintfesp-GO/TO), Jesulina Regis abordaram na manhã desta quarta-feira (17), em mais uma edição do programa Antena Ligada, da Rádio Trabalhador (www.radiotrabalhador.com.br), que vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 10 às 11 horas, os retrocessos que vêm acontecendo nas políticas públicas, sejam elas voltadas para a habitação, saúde ou previdência.
 
Liorcino foi contundente quando criticou a tentativa do governo estadual de terceirizar a gestão da política de sangue. "É um serviço que funciona bem, que conta com a aprovação dos usuários e agora querem colocar uma Organização Social (OS) para geri-lo. A política de terceirização é um fracasso. Os grandes hospitais do Estado funcionam com uma capacidade bem inferior do que antes das OSs. Na prática, a rede pública foi privatizada”, lamentou.
 
Para o presidente do CES, a implantação de uma nova política de doação, distribuição e transfusão de sangue em Goiás e a terceirização do Instituto de Hemoterapia de Goiás (Hemocentro) para uma OS vai afetar negativamente toda a população. O Brasil tem hoje uma legislação avançada que diz que sangue não se comercializa. Mas hoje empresas privadas estão enriquecendo com a comercialização do sangue, que é doado pela população.
 
Situação de rua
Eduardo apresentou ao jornalista Roberto Nunes, locutor do Antena Ligada, um dado também muito preocupante: existem mais de 2 mil pessoas vivendo nas ruas de Goiânia (GO). Ele aponta ainda que 70,9% da população de rua desenvolvem atividades para garantir um sustento mínimo, vendendo água, balas ou lavando carros, catando latinhas ou recolhendo papelão para reciclagem. “São trabalhadores que não têm um curso profissionalizante, nem oportunidade de emprego formal. Não conseguem se posicionar nesse mercado de trabalho pela ausência de uma série de fatores, como endereço fixo, higienização pessoal, alimentação adequada”, analisa.
 
A violência é outra faceta cruel que aflige a população de rua: uma pesquisa desenvolvida pelo Núcleo de Estudos Sobre Criminalidade e Violência da Universidade Federal de Goiás (Necrivi-UFG), destaca que, entre agosto de 2012 e maio de 2015, 61 moradores de rua foram mortos em Goiânia. E esse número aumentou desde então.
 
A fala da professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e apoiadora do Movimento Nacional da População de Rua naquele Estado, Maria Gabriela Curubeto Godoy, não poderia ser mais atual: "Uma sociedade que não enxerga o que há por trás de uma pessoa que perambula pelas ruas em busca de comida e abrigo, e apenas vê a sujeira do corpo e do entorno no qual essa pessoa vive, e que aplaude que as pessoas sejam varridas como lixo é totalmente perversa". 
 
Previdência
Jesulina centrou sua fala em torno da amaeça do governo Michel Temer de fazer a Reforma da Previdência. "Nós sabemos que não há déficit. Estão difundindo uma propaganda enganosa que tem por objetivo fazer a população engolir mentira. Isso faz parte de uma engrenagem maior. Querem que os recursos que a Previdência Social pública movimenta sejam destinados aos bancos privados", pontua a sindicalista.
 
"É fácil perceber que ao contrário da preocupação com o pagamento futuro das aposentadorias e pensões - como sustenta governo, com o apoio da grande mídia -,o que ele pretende com a reforma é reduzir as despesas do setor Seguridade", assinala a diretora do Sintfesp.
 
Na cartilha A Reforma da Previdência e os Ataques aos Direitos Sociais no Brasil, que tem o Sintfesp como signatário, os especialistas apontam que a reforma serviria para aumentar a parcela do orçamento a ser reservada ao pagamento dos juros e amortização da dívida pública, o que viabiliza o crescimento do endividamento nacional sem riscos de “calote”, medida tida como indispensável pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial para o reingresso do capital financeiro internacional no Brasil.
 
"A grande mídia não poupará esforços em propagandear o “caos” e mais uma vez enganar o povo brasileiro, dele extraindo o “apoio popular” necessário para a tramitação destas propostas no Congresso Nacional."
 
 
 
 
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