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Na pandemia, trabalhadores dos Correios têm de fazer greve para garantir direitos

Empresa ignora Acordo Coletivo e só cumpre protocolo sanitário quando acionada na Justiça

Publicado: 20 Agosto, 2020 - 10h32 | Última modificação: 20 Agosto, 2020 - 13h01

Escrito por: Maísa Lima

Agência Brasil
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Dirlene Ferreira Antônio é uma das trabalhadoras dos Correios em Goiás. Ela teve a Covid 19. Durante quase 20 dias apresentou sintomas como tosse, espirros, falta de ar, fortes dores no corpo e teve 30% da capacidade pulmonar comprometida. Mas pode se dar por feliz porque não está nas estatísticas de óbitos.

Conforme o secretário da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), Emerson Marinho, cerca de 70 trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) morreram em função da pandemia. Esse número não é oficial, pois a estatal se recusa a compartilhar a informação.

Desde o último dia 18 a categoria está em greve em todo o País. Não é pra menos. Além do sucateamento da empresa que vem sendo promovido paulatinamente pelo governo para forçar a privatização da ECT, os trabalhadores e trabalhadoras enfrentam a suspensão das garantias do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

"Os trabalhadores dos Correios estão lutando não é só pela preservação de direitos, o que, por si só, é muito justo. Estão lutando pela defesa do patrimônio dos brasileiros. Até pouco tempo, os Correios eram a instituição mais respeitada do País. Mas o governo federal tem feito o que está ao seu alcance para sucateá-lo e desmerecê-lo aos olhos da população. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) dá apoio irrestrito a essa greve", afirma a presidenta da CUT Goiás, Bia de Lima, que por sinal participou da assembleia virtual que deflagrou o movimento no Estado, a qual contou com mais de 300 pessoas.

Greve por direitos
“Estão rasgando mais de 70 das cláusulas do ACT em plena pandemia. Até para garantir que a ECT cumpra os protocolos de segurança sanitária tivemos de buscar a Justiça”, desabafa o secretário de Finanças do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Goiás, Eziraldo Santos Vieira, referindo-se à garantia de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), testagem e ao afastamento dos trabalhadores dos grupos de risco das unidades de trabalho. Eziraldo denuncia ainda que os Correios têm mantido funcionários com sintomas da Covid 19 nos locais de trabalho.

O último concurso público nos Correios foi em 2011 e desde então milhares de trabalhadores saíram nos Planos de Demissão Voluntária (PDVs), sem contar os que se aposentam anualmente e os que saem de licença.

Mesmo em meio a esse desmonte promovido pelo governo federal, no primeiro semestre de 2020 os lucros dos Correios superaram R$ 300 milhões, motivados pelo aumento das entregas de produtos adquiridos pela internet.

“O salário médio de um trabalhador dos Correios é de R$ 1,7 mil. A empresa agora volta atrás no acordo que previa 3% de reajuste anual. Enquanto isso, o salário do presidente da estatal, general Floriano Peixoto, é de R$ 46.727,00, fora o que ele recebe como militar. E ele está neste momento contratando oito assessores com vencimentos da ordem de R$ 27 mil”.

Segundo o dirigente da Fentect, Emerson Marinho, a greve pode se estender até o próximo mês ou acabar nesta sexta-feira (21), dependendo do resultado da votação em curso no Superior Tribunal Federal (STF).

“Se o STF restabelecer a sentença normativa, vamos levar para a categoria, mas com certeza não há mais necessidade de manter a greve", afirmou. Até o momento, os ministros têm votado para que o acordo tenha apenas a duração de um ano, ao invés dos dois anos acordados com a empresa, o que não atende à reivindicação da categoria.


Consequências da privatização para a população
- Mais agências serão fechadas, principalmente do interior, privando boa parte da população do acesso ao serviço postal;
- A empresa que comprar a ECT não terá obrigação de executar políticas públicas, como distribuição de livros didáticos, entrega de vacinas, coleta e distribuição de donativos em casos de catástrofes, etc;
- As empresas de e-commerce seriam as mais afetadas, uma vez que os Correios é o único operador logístico presente em todo território brasileiro;
- O Banco Postal é a única instituição financeira em um a cada quatro municípios brasileiros;
- Os serviços postais ficarão ainda mais caros, uma vez que a empresa privada só pensa no lucro.