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Mulheres negras se reúnem em Goiás em encontro nacional

Evento discute violência, bem viver e estratégias de enfrentamento ao racismo

Publicado: 06 Dezembro, 2018 - 13h58 | Última modificação: 06 Dezembro, 2018 - 14h44

Escrito por: Maísa Lima (CUT Goiás) e Larissa Costa (Brasil de Fato)

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Cerca de mil mulheres negras de todo o Brasil marcaram encontro em Goiânia (GO) entre os dias 6 e 9 de dezembro, 30 anos depois da primeira vez, lá em 1988, em que mulheres do movimento negro se uniram para discutir formas de enfrentar a violência e a opressão que cerca suas vidas.

Eliane Dias, da Rede Afro LGBT e da Rede de Mulheres Negras de Minas Gerais, disse ao jornal Brasil de Fato que a realização desse encontro é necessária para fortalecer as organizações de mulheres negras após a eleição de Jair Bolsonaro (PSL).

“Vai ser a primeira grande mobilização popular pós período eleitoral. Apesar de não ter tido ainda a chegada do novo governo, a gente já sente na pele os efeitos. As mulheres pretas, principalmente, já vivem em ambientes hostis, de ameaça, de perigo, mas de muita resistência. Além disso, a partir do encontro, vamos ter um norte para algumas décadas de luta, vamos sair de lá com estratégias de enfrentamento”, explica.

Uma das anfitriãs do evento é a vice-presidenta da Central Única dos Trabalhadores em Goiás (CUT Goiás) e coordenadora nacional do Movimento Negro Unificando (MNU), Iêda Leal. “Em um país racista como o Brasil, estruturado a base das desigualdades raciais, onde a cor da pele define o seu lugar na sociedade, não nos resta alternativa que não seja lutar, lutar de todas as maneiras possíveis”, diz ela, que enfrentou muitas situações de discriminação e de racismo. "É minha responsabilidade tocar adiante essa caminhada: os passos vêm de longe e me inspiram a seguir contra o racismo sempre”, completa.

Programação

O Encontro Nacional de Mulheres Negras começa nesta quinta-feira e vai contar com a presença da ativista americana e ex-pantera negra Angela Davis; da escritora e militante Conceição Evaristo, além da filósofa e ativista Sueli Carneiro. O evento ocorre até o próximo domingo (9).

A realização do evento foi deliberado pelo Fórum Permanente de Mulheres Negras, que se reuniu no Fórum Social Mundial, em Salvador, na Bahia, em março deste ano.

O encontro ocorre graças a uma campanha de financiamento coletivo, que mobilizou os recursos necessários. As doações foram aceitas até o dia 2 de dezembro. A iniciativa recebeu apoio do Elas (Fundo de Investimento Social e da ONU Mulheres Brasil). Além disso, a campanha de financiamento online recebeu ajuda na mobilização online das defensoras dos Direitos das Mulheres Negras da ONU Mulheres Brasil, Kenia Maria e Taís Araújo, e da embaixadora da ONU Mulheres Brasil, Camila Pitanga.

A programação conta com feiras, apresentações culturais, oficinas, palestras e rodas de conversa com temas diversos, como saúde, religiosidade afro-brasileira, encarceramento em massa e desafios e perspectivas do movimento de mulheres. 

* Com informações também do site Destaqjornal

 

 

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