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Lavouras do agronegócio contaminam produção da agricultura familiar

Todo o esforço para produzir alimentos saudáveis vai pro ralo porque o agronegócio pulveriza veneno nas proximidades

Publicado: 27 Junho, 2018 - 11h20 | Última modificação: 27 Junho, 2018 - 16h03

Escrito por: Maísa Lima e Contraf Brasil

Logic Ambiental
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O veneno lançado na lavoura do agronegócio atinge a agricultura familiar praticada nas proximidades

Pastagens e lavouras de milho da agricultura familiar de Carmo do Rio Verde, a 174 quilômetros de Goiânia (GO), ficaram secas após a aplicação de herbicidas dessecantes em lavouras do agronegócio localizadas nas proximidades. A denúncia foi feita pelo presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais na Agricultura Familiar do Estado de Goiás (Fetaeg), Alair Luiz dos Santos, no programa Antena Ligada desta quarta-feira (27), na Rádio Trabalhador (www.radiotrabalhador.com.br).

Uma das prerrogativas da agricultura familiar é justamente produzir alimentos saudáveis respeitando o meio ambiente. Ocorre que a expansão do agronegócio está, na prática, impedindo que esse objetivo seja alcançado. Alair conta que em regiões como o sudoeste goiano, onde as lavouras de soja são cultivadas em grande escala, isso é praticamente impossível. 

Agora a situação tende a piorar com a aprovação, na Comissão Especial na Câmara dos Deputados, do projeto que prevê que mais venenos sejam liberados pelo Ministério da Agricultura mesmo se outros órgãos reguladores, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não tiverem concluído análises sobre os riscos à saúde humana.

Mortes

O Brasil é o primeiro lugar no ranking de países que mais consomem agrotóxicos no mundo. São cerca de 500 mil toneladas, o que equivale a 7 litros de consumo por brasileiro ao ano. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que no País ocorram 20 mil mortes ao ano devido à manipulação e consumo direto de agrotóxicos.

A medida aprovada poderá aumentar mais ainda o consumo de agrotóxico de forma indiscriminada, visto que a lei permite a isenção de impostos para esses produtos, o que estimulará o seu uso. Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil (Contraf) as alterações na legislação dos agrotóxicos colocam uma máscara nos produtos quando cita que são apenas insumos agrícolas e deixa de reconhecer e informar a população que são produtos tóxicos e perigosos. A segurança alimentar e nutricional do país está ameaçada pelos interesses da bancada ruralista ligados ao agronegócio.

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