Escrito por: Juliano Cavalcante

Guilherme Boulos realiza plenária com a classe trabalhadora

Plenária em Goiânia debate conjuntura, soberania e fim da escala 6x1

Foto: Ruy Castro/SGPR

A CUT Goiás, o Fórum Goiano em Defesa dos Direitos, da Democracia e Soberania, entidades sindicais, movimentos sociais e estudantis, centrais sindicais e lideranças políticas realizaram, na última quinta-feira, 26, uma plenária com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, na sede do ADUFG-Sindicato.

O encontro foi marcada pelo diálogo, pela escuta e pela construção coletiva de políticas públicas, fortalecendo a relação entre as organizações da sociedade civil e o Governo Federal. Antes da plenária, o ministro reuniu-se com lideranças sindicais, de movimentos populares e parlamentares para análise e apresentação de demandas relacionadas às políticas públicas no estado de Goiás.

Durante a atividade, compuseram a mesa, ao lado do ministro, Napoleão Batista, diretor da CUT Goiás, e os(as) parlamentares Bia de Lima, deputada estadual, Mauro Rubem, deputado estadual, Adriana Accorsi, deputada federal, Fabrício Rosa, vereador, Katia Maria, vereadora, Edward Madureira, vereador, e Aava Santiago, vereadora. 

Análise de conjuntura

Em sua fala inicial, Guilherme Boulos realizou uma análise do cenário geopolítico mundial  e das eleições presidenciais deste ano. 

“Estamos vivendo um momento perigoso no mundo e, particularmente, na América Latina. O presidente Lula conseguiu, com muita firmeza,  fazer do Brasil um foco de resistência à tentativa de recolonização do nosso continente”, afirmou.

Boulos citou as pressões tarifárias impostas pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros importados. O ministro também mencionou a situação da Venezuela e os impactos econômicos relacionados à comercialização do petróleo, destacando o interesse internacional nas terras raras brasileiras e o papel estratégico do Brasil no cenário global. 

“Ou queremos um Brasil para os brasileiros, ou voltamos a ser uma colônia do hemisfério norte. Cabe aos eleitores escolher um governo que lute pelo povo trabalhador”, declarou.

Escala 6x1

Na sequência, Boulos afirmou que o principal embate dos próximos meses será  o fim da escala 6x1. Ele ainda destacou que o fim da 6x1 passa por uma  jornada máxima de 40 horas semanais, sem redução salarial.

“Faz 38 anos que o Brasil não altera a jornada de trabalho. De lá para cá, a tecnologia evoluiu significativamente, o que permite discutir a redução da exaustão e do burnout entre os trabalhadores”, argumentou. 

Segundo o ministro, o presidente Lula deve encaminhar, nas próximas semanas, um Projeto de Lei em regime de urgência para extinguir a escala 6x1. Nesse formato, caso o PL  não seja votada em até 45 dias, a pauta da Câmara fica trancada, impedindo a votação de outras matérias até que o projeto seja votado.

Em pesquisa realizada pela Nexus, cerca de 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1. Ainda assim,  Boulos ressaltou que apenas a mobilização social será capaz de pressionar o Congress. “Foi o povo nas ruas que pressionou as maiores mudanças no país”, lembrou. 

O ministro citou estudos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que indicam que a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais pode gerar até 4,5 milhões de empregos e elevar a produtividade em até 4%.

O papel da classe trabalhadora organizada

No encerramento, Boulos destacou a importância da militância popular no cenário eleitoral e no enfrentamento à desinformação.

“Não precisamos ter medo do debate. Vivemos em um governo que enfrenta os temas de forma aberta”, afirmou.

Ele reforçou que a disputa eleitoral também passa pelo aumento da bancada  progressista no Congresso Nacional. “Se reelegermos o presidente e mantivermos o mesmo Congresso, vencemos a eleição, mas não garantimos a aprovação das nossas pautas”, alertou.

Ao final, Boulos conclamou os presentes a fortalecerem a mobilização política do Estado em defesa dos direitos, da democracia e da soberania. “Acredito que Goiás terá uma contribuição importante nesses processos”, concluiu.