• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
  • Rádio Trabalhador
MENU

Goiás realiza encontro de mulheres CUTistas

Evento é virtual e acontecerá nesta quinta-feira (17)

Publicado: 15 Dezembro, 2020 - 17h09 | Última modificação: 15 Dezembro, 2020 - 17h36

Escrito por: Maísa Lima

notice

A Organização das Nações Unidas (ONU Mulheres) lançou em agosto deste ano um alerta mundial advertindo autoridades políticas, sanitárias e organizações sociais sobre a forma como a pandemia do novo coronvírus (Covid-19) e o isolamento social poderiam afetar as mulheres, tanto por meio da sobrecarga de trabalho quanto do aumento dos índices de violência doméstica e diminuição de acesso a serviços de atendimento.

Este mês, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) confirmou a preocupação da ONU Mulheres. Este ano, foi registrado um acréscimo de 22% nos casos de feminicídio no País. Enquanto isso, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que cerca de 7 milhões de mulheres deixaram seus postos de trabalho no início da pandemia, 2 milhões a mais do que o número de homens na mesma situação.

Com o mundo do trabalho tão refratário às mulheres, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que elas ganham, em média, 22% menos que os homens na mesma função, como a ala feminina do movimento sindical está lidando com essa situação? É isso que o Encontro Estadual das Mulheres CUTistas de Goiás pretende debater.

O encontro acontecerá nesta quinta-feira (17), a partir das 19 horas, na Plataforma Zoom, para garantir o distanciamento social, fundamental nesses tempos de pandemia. Para entrar na reunião basta acessar o link: https://us04web.zoom.us/j/77743428050?pwd=YlhVcSs1Rk1naXVNRUxWR25sRUZlUT09

Empoderamento

Para a secretária da Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores do Estado de Goiás (CUT-GO), Maria Rosely Cavalcante, muitas mulheres se viram sem condições de manter as atividades laborais durante a pandemia. “No caso de servidoras públicas, nem dá para enumerar as perdas, que vêm se multiplicando em todas as esferas de governo: federal, estadual e municipais. Precisamos nos fortalecer para virar o jogo nas eleições de 2022”, pontua Rosely, que é professora, negra e acaba de eleger-se vereadora pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em Alvorada do Norte, distante 456 quilômetros de Goiânia.

A sindicalista e agora vereadora eleita Rosely não está errada ao visualisar um grande o desafio para as mulheres. A presidente do PT Goiás Kátia Maria está em campo para que o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) faça valer a lei 9.504/1997, que estabelece o mínimo de 30% das vagas para as mulheres no Parlamento. Ocorre que em Goiânia, nas últimas eleições nove partidos não respeitaram essa prerrogativa e agora a luta é para a Justiça Eleitoral alterar a lista de candidatos e candidatas eleitos(as).

“O que precisamos fazer é nos apropriar das agendas dos locais onde atuamos. E formação é fundamental. Precisamos estar preparadas para atuarmos com consciência de classe, de gênero e de raça”, assinala a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT Brasil, Junéia Batista.

Junéia destaca que o próprio movimento sindical é machista e que as mulheres têm feito uma considerável articulação para garantir a paridade entre homens e mulheres, o que na CUT só foi conquistado em 2015. “Mas queremos para além da paridade. Queremos cargos de mando efetivo e para isso o caminho é a consciência de que só a nossa união irá resultar nesse empoderamento”, conclui.