Escrito por: CUT-GO

CUT Goiás se manifesta pelo fim da escala 6x1

A ideia de que mais horas trabalhadas significam mais produtividade não se sustenta quando analisamos o tema com seriedade. Produtividade não é sinônimo de tempo bruto de trabalho, mas sim da relação entre produção, qualidade, eficiência e o tempo necessário para alcançar resultados. Insistir na escala 6x1 parte de uma lógica simplista e ultrapassada, que ignora evidências amplamente reconhecidas por instituições como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e a Organização Internacional do Trabalho, que demonstram que países com jornadas menores tendem a apresentar maior produtividade por hora trabalhada.

Na prática, jornadas extensas e com pouco descanso geram fadiga, estresse e sobrecarga. Isso reduz a concentração, aumenta a ocorrência de erros e acidentes e eleva os índices de afastamento por problemas de saúde. O trabalhador submetido a seis dias consecutivos de trabalho dificilmente mantém o mesmo nível de desempenho ao longo da semana. O resultado é uma produtividade aparente que, na verdade, se deteriora com o tempo.

Além disso, há custos ocultos que muitas empresas ignoram. A manutenção de jornadas exaustivas está diretamente associada ao aumento da rotatividade de funcionários, ao crescimento das licenças médicas e ao encarecimento da gestão de saúde ocupacional. Ou seja, o que parece economia no curto prazo se transforma em prejuízo no médio e longo prazo.

Outro aspecto central é que produtividade não se eleva à base de desgaste humano, mas sim por meio de investimento em tecnologia, qualificação profissional, melhoria de processos e gestão eficiente. Países e empresas mais competitivos entenderam que o ganho real está na inovação e na organização do trabalho, não na simples ampliação da carga horária.

Há ainda um impacto econômico mais amplo. Trabalhadores com melhores condições de trabalho e mais tempo livre tendem a consumir mais, investir em sua formação e cuidar melhor da própria saúde. Isso dinamiza a economia e cria um ciclo virtuoso de crescimento. Além disso, melhores salários são fundamentais: o Brasil ainda remunera mal seus trabalhadores, o que desestimula o engajamento e limita ganhos de produtividade.

Também é importante enfrentar um argumento recorrente: o de que a redução da jornada geraria desemprego. Na realidade, dependendo da forma de implementação, a reorganização da jornada pode contribuir para a distribuição do trabalho entre mais pessoas, ampliando oportunidades e reduzindo desigualdades.

Defender o fim da escala 6x1 não é defender menos trabalho, mas sim um trabalho mais inteligente, mais eficiente e mais humano. Trata-se de superar um modelo produtivo ultrapassado, baseado na exploração intensiva da mão de obra, e avançar para uma lógica moderna, que valoriza o trabalhador como parte central do desenvolvimento econômico e social.

Central Única dos Trabalhadores de Goiás
21 de abril de 2026