Escrito por: CUT-GO

CUT Goiás reforça luta pelo fim da escala 6x1, por saúde e segurança no trabalho.

A CUT Goiás reforça que o 28 de abril também é um chamado à mobilização da classe trabalhadora rumo às lutas do 1º de Maio, fortalecendo pautas históricas em defesa dos trabalhadores.

O Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado em 28 de abril, marca um momento de reflexão, denúncia e mobilização em defesa da vida da classe trabalhadora. Instituída pela Organização Internacional do Trabalho em 2003, a data homenageia trabalhadores e trabalhadoras vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

A escolha do 28 de abril remete à memória de um dos episódios mais trágicos da história do trabalho industrial: a explosão de uma mina em Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos, em 1969, que matou dezenas de trabalhadores e se tornou símbolo internacional da luta por condições dignas e seguras nos ambientes laborais.

Os números atuais demonstram que os acidentes e mortes no trabalho só aumentam. Em Goiás, foram registrados 24.303 acidentes de trabalho em 2024, segundo dados do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (AEAT), elaborado pelo Ministério da Previdência Social. Do total, 64% foram acidentes típicos — como cortes, quedas, queimaduras e choques elétricos —, 25% ocorreram no trajeto entre casa e trabalho e 1,6% correspondem a doenças relacionadas ao trabalho. Os dados revelam crescimento expressivo nos últimos anos: em 2023 foram registrados cerca de 22 mil acidentes e, em 2022, aproximadamente 16 mil casos.

Em âmbito nacional, os números também são alarmantes. Dados atualizados do Observatório de Saúde e Segurança do Trabalho apontam que o Brasil registrou 8,8 milhões de acidentes de trabalho e cerca de 32 mil mortes envolvendo trabalhadores com carteira assinada entre 2012 e 2024.

Para a Central Única dos Trabalhadores de Goiás, a data também reforça a necessidade de ampliar o debate sobre os impactos das transformações no mundo do trabalho, especialmente diante das mudanças provocadas pela chamada Quarta Revolução Industrial. A intensificação da digitalização, o controle por algoritmos, a hiperconectividade e a pressão por produtividade têm contribuído para o aumento do adoecimento mental e dos riscos psicossociais entre trabalhadores e trabalhadoras.

Em entrevista à CUT Goiás, Terezinha de Jesus Aguiar, secretária de relações do trabalho da CUT Goiás, diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS/CUT) e do Sindicato dos Trabalhadores Federais em Trabalho e Previdência Social nos Estados de Goiás e Tocantins (SINTFESP GO/TO), alertou para os desafios impostos pelo novo cenário.

“Não podemos permitir que a tecnologia seja usada para aumentar o adoecimento mental e o esgotamento dos trabalhadores”, afirmou a dirigente.

Fiscalização da NR-1 e proteção aos trabalhadores

Outro ponto destacado pela CUT Goiás neste 28 de abril é o fortalecimento das medidas de prevenção e fiscalização das normas de segurança e saúde no trabalho, especialmente a partir das atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).

A norma, que estabelece disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho, passou a incorporar de forma mais ampla o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), exigindo que empresas identifiquem perigos e avaliem continuamente os riscos presentes nos ambientes de trabalho.

A CUT Goiás tem acompanhado o início da fiscalização das medidas previstas na NR-1 para relações celetistas, defendendo que as normas sejam efetivamente aplicadas para garantir ambientes seguros e combater o adoecimento físico e mental da classe trabalhadora.

Segundo Terezinha Aguiar, a fiscalização é fundamental para que as regras não permaneçam apenas no papel.

“A fiscalização rigorosa da NR-1 é o que separa o papel da realidade segura para o trabalhador”, destacou.

Em live promovida pelo SINTFESP-GO/TO, mediada pelas diretoras Terezinha Aguiar e Heloiza Massanaro, o superintendente regional do trabalho e emprego em Goiás, Nivaldo dos Santos, afirmou que a nova redação da NR-1 entrará em vigor no dia 26 de maio.

 Fim da escala 6x1 é pauta de saúde do trabalhador

A discussão sobre saúde e segurança também passa diretamente pelas condições da jornada de trabalho. Para a CUT Goiás, a escala 6x1 representa um dos fatores de maior desgaste físico e mental para trabalhadores e trabalhadoras, comprometendo o descanso, o convívio familiar e a qualidade de vida.

A central sindical defende que a redução da jornada e o fim da escala abusiva são medidas urgentes para preservar a saúde da classe trabalhadora e garantir dignidade nas relações de trabalho.

Mobilização e luta permanente

A CUT Goiás reforça que o 28 de abril também é um chamado à mobilização da classe trabalhadora rumo às lutas do 1º de Maio, fortalecendo pautas históricas em defesa dos direitos trabalhistas, da valorização do trabalho e da saúde dos trabalhadores e trabalhadoras.

Terezinha Aguiar destacou que a luta por segurança no trabalho está diretamente ligada à defesa de direitos e melhores condições de vida.

“Nossa luta por segurança no trabalho está ligada diretamente à nossa luta por melhores salários, pelo fim da escala abusiva e pela regulamentação da Convenção 151 da OIT, garantindo negociação coletiva também no setor público”, concluiu.