Escrito por: Juliano Cavalcante

CUT Goiás participa de atos em defesa dos direitos das mulheres

8 de março é marcado por mobilização em Goiânia contra a violência e em defesa dos direitos das mulheres

Neste domingo, 8 de março, foi celebrado o Dia Internacional das Mulheres, uma data de memória, luta e reafirmação do compromisso com a vida, os direitos e a dignidade de todas as mulheres. 

Em Goiânia, a data foi marcada por muita luta em defesa da causa. A CUT Goiás participou da 2ª Pedalada pelo Fim da Violência contra as Mulheres, iniciativa organizada pelos parlamentares Bia de Lima, deputada estadual; Professora Ludmylla, vereadora; Adriana Accorsi, deputada federal; e Edward Madureira, com apoio do SINTEGO. 

A caravana saiu do Parque Flamboyant e seguiu até a Praça do Trabalhador, no centro da cidade, onde aconteceu um grande ato organizado pelo Fórum Goiano de Mulheres, com apoio do Fórum Goiano em Defesa dos Direitos, da Democracia e Soberania, da CUT Goiás, de centrais sindicais, coletivos, movimentos sociais e estudantis, federações, organizações políticas e entidades da sociedade civil. 

Ludmylla Morais, vereadora e diretora da CUT Goiás, destacou a importância da realização de atos no 8 de março para fortalecer o diálogo social em defesa das mulheres no Brasil. 

“A bancada da educação propôs a pedalada no intuito de estabelecermos um diálogo com a sociedade goiana. É preciso dizer que o  homem tem um papel fundamental nessa luta. Não basta ser contra a violência, é preciso propagar um discurso pela vida das mulheres; conversar com pais ,irmãos, tios, primos, amigos e colegas. É necessário que combatamos essa mazela juntos e juntas”, afirmou. 

Terezinha Aguiar, diretora da CUT Goiás, também esteve presente na Praça do Trabalhador e discursou em defesa das mulheres trabalhadoras. Em sua fala, reiterou que, em um contexto de luta centenária pelos direitos das mulheres, é fundamental  debater, neste momento, o fim da escala 6x1 com o público feminino. 

“É bom que se diga que essa luta é centenária. Hoje estamos aqui para dizer o que queremos, e o que queremos é vida. Enquanto nós dissermos não, é não! A Central Única dos Trabalhadores está empenhada na tarefa de incluir o  debate pelo fim  da escala 6x1, com redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial, junto às mulheres trabalhadoras.  Esse tema é importante porque possibilita  que fiquemos um pouco mais em casa, para que possamos olhar mais para nós mesmas, além de cuidar dos nossos filhos e da nossa família. Nesse sentido, a defesa pelo fim da escala 6x1 é grandiosa e necessária. Portanto, defender essa pauta é a nossa tarefa”, disse. 

O 8 de março é uma data que nasce da resistência das trabalhadoras, da coragem de quem enfrentou e enfrenta jornadas exaustivas, salários injustos e a violência cotidiana para conquistar direitos e dignidade. 

Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio

No Brasil, se vive uma realidade alarmante: a cada 24 horas, quatro mulheres são vítimas de feminicídio. Esse dado escancara o quanto a violência de gênero continua sendo uma chaga aberta na sociedade brasileira, atingindo especialmente as mulheres trabalhadoras, negras, periféricas, indígenas e do campo.

De acordo com o Painel Interativo de Violência contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Goiás registrou 55.689 novos processos relacionados à violência contra a mulher até novembro de 2025. Os dados desmentem a propaganda do Governo do Estado que afirma que Goiás é o estado mais seguro do Brasil. 

A deputada estadual Bia de Lima, afirmou que essa  narrativa do governo precisa ser confrontada, pois a realidade enfrentada pelas mulheres goianas é outra.

“O governo de Goiás gosta de dizer que o estado é o mais seguro do país, mas  para nós, mulheres, não é. Continuamos sendo agredidas, estupradas e assassinadas recorrentemente. Neste dia,  precisamos dizer que não vamos aceitar e achar normal o que tem ocorrido. É preciso que os agressores sejam punidos severamente”, afirma. 

Diante desse cenário, a Central Única dos Trabalhadores reafirma a importância do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa conjunta do Legislativo, Executivo e Judiciário que busca enfrentar, de forma integrada, a escalada da violência contra as mulheres. O pacto representa um passo fundamental para fortalecer políticas públicas, garantir proteção, responsabilizar agressores e afirmar o direito das mulheres à vida.

Defender a vida das mulheres também é lutar pela soberania dos povos, pelo direito à autodeterminação, por desenvolvimento com justiça social e pela construção de um projeto de país que coloque a vida acima do lucro.