Na manhã desta terça-feira, 05 de maio de 2026, foi realizada na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (ALEGO) uma importante audiência pública em celebração aos 90 anos do salário mínimo no Brasil. A iniciativa do Escritório Regional do DIEESE em Goiás reuniu lideranças sindicais, especialistas e parlamentares comprometidos com a defesa dos direitos da classe trabalhadora.
O encontro teve como objetivo resgatar a trajetória histórica do salário mínimo no país, destacar seu papel na redução das desigualdades sociais e debater os desafios para garantir uma renda que, de fato, atenda às necessidades dos(as) trabalhadores e trabalhadoras.
Representando a CUT Goiás, a diretora Flaviana Alves (SINDSAÚDE-GO) e presidenta do Conselho Municipal de Saúde, reforçou o papel histórico da CUT na luta por direitos e na construção de uma sociedade mais justa.
“A nossa Central Única dos Trabalhadores nasce no contexto de luta pela redemocratização do país. Onde reafirmamos que direitos humanos a gente não suplica, a gente luta, conquista e mantém”, afirmou.
Flaviana ainda destacou durante sua participação que a CUT Goiás, em seu 42 anos de história, sempre esteve na linha de frente das mobilizações que pressionaram por políticas de valorização real do salário mínimo.
“Então é nesse sentido que a CUT participa dessa importantíssima audiência pública —para além da celebração dos 90 anos do salário mínimo no Brasil, reiteramos o compromisso pela valorização contínua da classe trabalhadora nesse país”, declarou.
A economista Leila Brito, supervisora técnica do DIEESE-GO, apresentou durante a audiência dados que evidenciam a relevância da política de valorização do salário mínimo. Apesar dos avanços, ela ressaltou que ainda há uma grande distância entre o valor atual e o necessário para garantir dignidade às famílias brasileiras.
“De 1936 para cá o salário mínimo teve uma história de avanços e retrocessos. Avanços no sentido de elevar o seu poder de compra para atender as necessidades básicas do trabalhador e retrocessos nos períodos de crise, tanto na Segunda Guerra Mundial quanto no período da ditadura militar, onde houve o congelamento do salário e os trabalhadores perderam muito do seu poder de compra”.
A economista também ressaltou o papel da política de recuperação salarial do governo Lula — além de destacar a importância da luta sindical no país, e alertar para os desafios ainda existentes para a classe trabalhadora.
“A partir dos anos 2000, houve a implementação de uma política de recuperação do salário mínimo no governo Lula. Naquele momento, passamos a ter uma política onde o salário mínimo se reajustava pela inflação, mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Políticas públicas como essa são resultadas das lutas sindicais. Apesar das conquistas ao longo da história, ainda estamos muito longe de atingir as necessidades básicas do trabalhador, estipuladas no artigo 7º, inciso IV da Constituição Federal, que determina a garantia de um salário mínimo capaz de suprir necessidades vitais básicas, como moradia, alimentação, higiene, transporte, lazer, educação, saúde e previdência social. Então, para chegar em um salário que atenda essas necessidades ainda temos muita luta pela frente — uma luta pela recuperação do salário mínimo e da elevação do poder de compra do trabalhador”.
A audiência também contou com a presença de diversas lideranças sindicais e representantes institucionais, entre eles Ricardo Manzi, coordenador sindical regional do DIEESE e diretor do SINDSAÚDE-GO e da FENACSAÚDE; Ivanilde Batista, diretora do SINDSAÚDE-GO e da CUT Goiás; Dulce Costa, diretora do SINTSEP-GO e da CUT Goiás; João Bernardino, diretor sindical regional do DIEESE, e diretor do SINTSEP-GO e da CUT Goiás; Antônio Gilvan, presidente do SINTSEP-GO; Tiago Henrique, secretário-geral do SINTECT-GO; as diretoras do SINTFESP GO/TO, Heloiza Massanaro, Carmem Paulino e Terezinha Aguiar; Napoleão Batista, diretor da CUT Goiás, do SINTEGO, e diretor sindical regional do DIEESE; o deputado estadual Mauro Rubem (PT Goiás); e o Superintendente Regional do Trabalho e Emprego em Goiás, Nivaldo do Santos.
Além dos debates, a atividade também prestou homenagens a lideranças sindicais, reconhecendo suas contribuições na luta pela valorização do salário mínimo e pela defesa dos direitos da classe trabalhadora.
A CUT Goiás reforça que a valorização do salário mínimo é uma pauta central para o movimento sindical, sendo fundamental para a redução das desigualdades e para a garantia de condições dignas de vida para a classe trabalhadora brasileira.