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Aumenta violência no campo

Relatório da CPT destaca a violência contra as mulheres

Publicado: 17 Maio, 2019 - 12h18 | Última modificação: 17 Maio, 2019 - 12h26

Escrito por: Maísa Lima

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Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT), as ocorrências de conflitos no campo – por terra, água, trabalho – em 2018 aumentaram em 4% em relação a 2017, passando de 1.431 para 1.489 ocorrências. É o que aponta o relatório Conflitos no Campo Brasil 2018.

Para falar sobre a questão a Rádio Trabalhador (www.radiotrabalhador.com.br) recebeu no estúdio nesta sexta-feira (17) um dos fundadores da CPT e seu colaborador assíduo nestes 40 anos de existência, Antônio Canuto.

“Há 50 anos já existiam conflitos pela terra devido ao avanço do capital sobre as comunidades tradicionais. Com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para a presidência da República, o agronegócio se sentiu empoderado. A violência aumentou e vai piorar ainda mais com a facilitação do uso de armas”, pontuou.

Mulheres
Um dos destaques deste estudo da CPT é a presença das mulheres na luta: 482 mulheres sofrem violência nos conflitos no campo. “Elas sofrem as consequências da repressão patrocinada pelos latifundiários, grileiros e grandes empresários, e executada por jagunços, pistoleiros, empresas de segurança e pelos órgãos de repressão do próprio Estado - Polícias Civil e Militar e a Polícia Federal”.

De 2009 a 2018, segundo as inserções no banco de dados da CPT, 1.409 mulheres sofreram algum tipo de violência. Este número pode ser multiplicado por muitos dígitos, pois nos casos, por exemplo, de um despejo ou de uma expulsão, é computado o número de famílias, mas não é feito um levantamento do número de mulheres envolvidas naquela violência. Pode-se dizer com certeza que é sobre as mulheres que recai a carga mais pesada dessas ações, pois elas, ao verem destruído o local de sua habitação e trabalho carregam consigo a dor e a angústia das crianças que estão sob sua responsabilidade.

Em 2018, o número de mulheres que sofreram alguma forma de violência foi o mais alto desde 2008, 482: 36 foram ameaçadas de morte; 6 sofreram tentativas de assassinato; 15 foram presas (10 mulheres sem-terra foram presas em julho de 2018 durante ocupação da Fazenda Verde Vale, no município de Alvorada do Oeste, em Rondônia); 2 torturadas; 6 sofreram ferimentos; 2 morreram em consequência dos conflitos; 1 sofreu aborto; 400 foram detidas (na ação em que denunciavam a privatização das águas em Minas Gerais, elas ocuparam a Nestlé, em São Lourenço (MG). A polícia as manteve detidas por horas dentro dos ônibus que as conduziam e todas passaram por revista).

Violência nas Escolas
Vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT Goiás) e tesoureira do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Iêda Leal também participou do programa Antena Ligada, por telefone, para falar sobre o lançamento da campanha Educação Pede Paz, que aconteceu nesta quinta-feira (16), em Valparaíso de Goiás, a 189 quilômetros de Goiânia. Lá, há cerca de 15 dias, foi brutalmente assassinado em sala de aula o professor Júlio César, na Escola Céu Azul. “Precisamos proteger nossos trabalhadores e dialogar com a comunidade escolar. É preciso aprender a conviver com a diversidade”, disse Iêda.

 

*Com informações da CPT