Escrito por: Juliano Cavalcante

17ª Plenária da CUT Goiás reúne bases sindicais frente aos novos desafios

Pautas de batalha em defesa dos direitos do povo e a reivindicação da bandeira brasileira foram motes do encontro.

A 17ª  Plenária Estadual da CUT Goiás foi realizada na última sexta-feira, 22 de agosto, no auditório da Adufg-Sindicato. Ao todo foram 158 delegados no evento, sendo mulheres a maioria, representando movimentos da educação, saúde, rurais, comunicação e administração pública.

Para abrir o encontro, foi realizada uma análise de conjuntura internacional, nacional, estadual e municipal com foco em analisar o momento da militância progressista e os obstáculos a serem enfrentados no campo do trabalho e economia.

Estiveram presentes na mesa de debates mediada por Flávio Alves, presidente da CUT Goiás, Bia de Lima, deputada estadual, Mauro Rubem, deputado estadual, Delúbio Soares, assessor da CUT nacional e fundador - Neyde Aparecida, presidente do Diretório Municipal do PT e também fundadora da CUT, Max Leno, supervisor técnico do DIEESE-DF, Valeir Ertle, secretário de assuntos jurídicos da CUT nacional, Nivaldo dos Santos, superintendente regional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no estado, Adílson Alves, assessor da FETRAF, Fabrício Rosa, e João Pires, coordenador do Fórum Goiano.

A presidente da Adufg-Sindicato, Geovana Reis, realizou um discurso de abertura ao debate reiterando a importância da Central Única dos Trabalhadores em anos de luta em defesa dos direitos do povo.

“Essa Central tem relevantes contribuições na luta em defesa dos trabalhadores/as e na construção de um país mais justo e soberano. Agora ela se reúne mais uma vez para reforçar o compromisso com o nosso estado e o país, para preparar sua base em luta das batalhas que se colocam diante de nós. O tema da Plenária, “Novos tempos, novos desafios”, não poderia ser mais acertado”, disserta.

Com a bandeira brasileira estendida frente aos sindicalizados, os convidados destacaram as atuais conjunturas políticas. Sob a ótica sindical, foram expostos caminhos de enfrentamento contra atos que atentam instituições democráticas. No cenário internacional, foi colocado em destaque o tarifaço implementado pelos Estados Unidos ao Brasil para tentar desestabilizar o Estado com o objetivo de tomar as terras raras e garantir a livre atuação das big techs. Já no âmbito nacional, foi debatido a tramitação da Reforma Administrativa, e a imprescindível participação dos sindicatos, centrais sindicais e entidades do movimento popular na mobilização pelo fim da escala 6x1 sem redução de salário e o fortalecimento da luta por um sistema tributário mais justo.

As lutas do campo foram destaque nesta Plenária, dando mais voz aos produtores rurais. Adilson Alves, pautou as principais frentes de batalha que necessitam de maior apoio aos serviços dos organizados. A soberania alimentar, mesmo com a saída do Brasil no mapa da fome, precisa sempre ser prioridade diante da criação de recursos financeiros para a produção de hortas e criação de pequenos animais. Condições de trabalho com justiça social e educação no campo, aproximando as escolas das crianças camponesas, também foram reivindicações. Ações estratégicas para que sejam superadas as dificuldades apresentadas foram condicionadas através de protestos e mobilizações iniciadas dentro da estrutura familiar, fazendo uma luta corpo a corpo. A utilização das redes sociais para o fortalecimento da organização coletiva, além da criação de blocos para disputar políticas públicas, foram os principais desafios impostos para vencer conflitos e a violência no campo. A desqualificação dos movimentos e o avanço do agronegócio só serão interrompidos diante da união, resistência e solidariedade dos sindicatos.

Para fechar a análise de conjuntura ficaram a mesa, Max Leno e Valeir Ertle. Ambos enriqueceram o certame apresentando uma conjuntura econômica no âmbito micro e macro; a realidade do mercado de trabalho na esfera nacional e internacional; as informações sobre ações sindicais através de negociações coletivas; e a COP 30.

Em entrevista, Max informou sobre o valor que se tem a realização de uma análise regular da conjuntura devido a sua frequente alteração.

“Em atividades como essa é extremamente necessário que se faça uma análise de conjuntura, tendo em vista que ela muda a todo momento. Consequentemente, nós viemos trazer vários elementos dela, seja em relação ao setor público ou privado. Apresentamos muitas alterações que já aconteceram, modificações que eventualmente podem vir acontecer e cenários que podem se concretizar futuramente. Esses elementos acabam sendo fundamentais para se discutir o plano de ação para os próximos meses, anos e períodos em que o movimento sindical e a sociedade terão que se mobilizar para essas possíveis mudanças que se vislumbram”, informa.

Plenarinha

Na segunda etapa da Plenária, foi apresentado aos delegados, através da secretária de cultura da CUT Goiás, Dulce Costa, e a secretária de comunicação, Ludmylla Morais, o Texto-Base nacional e estadual.

Após a leitura, foram debatidas estratégias, planos de luta e moções. Ao final, foram acrescidas proposições voltadas para os trabalhadores administrativos da educação e maior apoio aos movimentos rurais do estado em defesa da agricultura familiar. A segunda etapa do evento garantiu a aprovação do plano de lutas e as suas alterações junto aos representantes sindicais. 

Ao todo a CUT Goiás enviará seis delegados para a etapa nacional, que acontecerá em outubro: dois natos e quatro eleitos.  

Delegação de Goiás para a 17ª Plenária Nacional

A CUT Goiás definiu os nomes dos/as delegados/as eleitos na estadual que irão compor a delegação goiana na Plenária Nacional em lista divulgada na última terça-feira, 26; são eles: Ricardo Souza Manzi- SINDSAÚDE/GO; Tiago Henrique Rodrigues dos Santos- SINTECT; Bia de Lima- SINTEGO; Agajoeme Alves Barreto- SINTRAF Caiaponia/FETRAF. Além da suplente Dalila dos Santos Gonçalves- STR Itauçu/FETAEG.

Os delegados natos serão: Flávio Alves da Silva- ADUFG/Sindicato e presidente da CUT Goiás; Ludmylla da Silva Morais- SINTEGO e secretária de comunicação da CUT Goiás.